Vamos googlar um pouco:
Um ano depois de a UE impor direitos anti-subsídio às viaturas elétricas (VE) chinesas, os dados contradizem em grande parte a narrativa política que justificou a medida.
Comércio e preços
A UE mantém um superávit comercial em VE que ultrapassou os €10 mil milhões em 2024, tendo subido para cerca de €16 mil milhões (anualizado) no primeiro semestre de 2025, com as importações da China a caírem.
Isto acontece porque a UE exporta VE de gama alta e importa modelos chineses mais baratos — o preço médio de exportação de um VE europeu é mais do dobro do valor unitário dos VE chineses importados.
Os preços ao consumidor de marcas chinesas não subiram apesar de tarifas acima de 30%: modelos como o BYD Seal U, MG4, Polestar e XPeng registaram descidas de preço entre 3% e 9%.
Também os preços de importação (fronteira) caíram apenas ligeiramente, de forma semelhante ao que aconteceu em países sem tarifas (Noruega, Suíça, Reino Unido).
A quota de mercado chinesa caiu — mas não por causa das tarifas
A quota chinesa nas importações de VE da UE caiu de ~55% (início de 2024) para ~42% (meados de 2025). Contudo, comparando com países sem tarifas, a queda foi igual ou até maior fora da UE, sugerindo uma tendência global (abrandamento das exportações chinesas desde 2021-22) e não um efeito das tarifas.
O que as tarifas de facto geraram: receita fiscal
Cerca de 500 milhões de euros por trimestre, ou 2 mil milhões de euros por ano, entram no orçamento da UE, cerca de 80% pagos por empresas chinesas.
Contra a proposta de preços mínimos
Substituir as tarifas por um acordo de "preço mínimo" (como fizeram os painéis fotovoltaicos há uma década) seria um erro: manteria os preços artificialmente altos para o consumidor, transferindo rendimento para os produtores chineses, eliminaria a receita fiscal de €2 mil milhões, e seria mais difícil de fiscalizar.
Conclusão dos autores
A indústria europeia de VE é mais competitiva do que a narrativa política sugere. Os verdadeiros desafios da UE — infraestrutura de carregamento insuficiente, procura interna lenta, falta de escala na produção de baterias — são estruturais e as tarifas não os resolvem. O único argumento sólido para manter as tarifas é fiscal, não industrial ou estratégico.
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