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Re: Se a moda pega...

Enviado: 01 out 2026, 04:48
por Nonnus
Eu já escrevi aqui várias vezes que os impostos nos VEs mais cedo ou mais tarde vão ser iguais aos carros a combustão. E ontem na conversa referi isso mesmo. Um IUC de 200€ ou mais, o ISV, mais cedo, ou mais tarde irá ser aplicado.

Há pessoas que usam o argumento, que o não pagamento destes impostos é que nos fez a todos nós comprar um carro elétrico. No meu caso não foi. Sim, especialmente o não pagamento do ISV é uma grande ajuda em comparação com a compra de um ICE. Mas não era isso que me ia demover da compra de um VE.

Quanto aos novos impostos todos sabemos da criatividade de certos políticos.

A questão aqui é encontrar um imposto que seja "justo". Para a realidade inglesa se calhar esses tais 800€ para 40000km é justo para os ingleses. Para nós teria que ser ajustado à nossa realidade para não cairmos no erro de retrocesso dos últimos 15 anos.

O UK como está fora da UE tem liberdade para fazer o que quer com a carga fiscal. Se bem que nós em Portugal pagamos IVA em cima do ISV, em que a UE já referiu que não pode ser, mas o governo continua a fazê-lo.

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 11:03
por cfvp
Um IUC de 200€ não faz sentido, na minha opinião. Deveria ser o mínimo para VEs. Porém é um imposto injusto na medida em que quem faz 50mil kms num ano pode pagar exatamente o mesmo que alguém que faça 1000km. Nesse aspecto a medida de UK de cobrar por km é mais justa. Lembro-me de ter lido algures que ainda assim ficaria mais em conta para um VE. Contudo é uma medida estúpida para continuar a ir ao bolso dos contribuintes, ao menos podiam inventar uma coisa mais aceitável, mas já se sabe como é a classe política, especialmente em Portugal, só querem encher os próprios bolsos. O último "Isto é gozar com quem trabalha" mostra claramente que é tudo farinha do mesmo saco, não há partido que escape, porque mostraram votações no parlamento sobre a descida dos impostos sobre combustíveis e anularam-se todos uns aos outros, até parece combinado.

https://sic.pt/programas/isto-e-gozar-c ... s-5e6fc61b

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 13:05
por EVUber
Portanto…com um IUC por km quando o carro estivesse a terminar o ano fiscal…vendia-se para nao pagar IUC.. ou transferia-se para outro proprietário da famila e quem ia pagar o IUC ?? Comprador ou vendedor ???

Com um IUC por Km às inspeções anuais de todos os carros seria caotico e mais um imposto a somar em cima dos km..

Tratando a ideia como hipótese (0,02 €/km, ou seja 300 € por 15.000 km), o efeito mais óbvio é quase triplicar a média do IUC. Os números abaixo são de ordem de grandeza, não de um estudo.



Efeitos principais Famílias.
Uma taxa única por km é regressiva. Atinge mais quem não tem alternativa (interior, periferia, deslocações longas, profissões que vivem da estrada), enquanto hoje o IUC depende de emissões, cilindrada e idade.


Elétricos. Os elétricos matriculados depois de 2007 estão isentos de IUC. Em 2025 representaram 23,2 % das matrículas de ligeiros. Um imposto por km acabaria com essa vantagem e travaria a eletrificação. Por outro lado, compensaria a perda de receita do ISP, que ronda os 4,1 mil milhões e vai encolher com a eletrificação. regras mudam mas so para o ano descubra quanto vai pagar de iuc em 2025.


Comportamento.
O custo de conduzir subiria 0,02 €/km para 15.000km/ano
Para 90.000km/ano seria 0.12km/km

So para terem uma ideia do custo por Km do um VE A carregar em casa em bi-horario

O custo da energia é cerca de 2,1 cêntimos por km:
16 kWh/100 km = 0,16 kWh/km, e 0,16 × 0,13 €/kWh = 0,0208 €/km.

Empresas e preços.
Transporte de mercadorias, entregas, táxis e TVDE veriam os custos subir, com algum efeito nos preços finais.
Municípios. Em 2025, 349,2 milhões do IUC foram transferidos para os municípios. Um novo imposto teria de redefinir essa repartição.


Execução. Seria preciso medir os quilómetros (odómetro nas inspeções ou GPS), o que levanta problemas de fraude, privacidade, custo de cobrança e veículos estrangeiros.


Conclusão

Uma taxa única de 0,02 €/km seria pesada para quem conduz muito e para a transição para elétricos.

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 16:40
por Nonnus
Uma questão que dá que pensar(?). Ao contrário da Nova Zelândia nós não somos uma ilha. Supondo que eu vivo perto da fronteira e trabalho em Espanha, ou desloco-me ao estrangeiro com frequência. O meu carro faz muitos km fora do país, mas quando for a inspecção vou pagar uma taxa que tem por base km rodados que não foram feitos em Portugal. :shock:

A taxa é para manutenção de estradas que eu não usei...

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 17:24
por rjspedition
Lá se chegará:
Technology and vehicle telematics were widely viewed as
having the potential to simplify the operation of eVED and reduce
administrative burdens on motorists. Many respondents supported
an opt-in approach that would allow existing in-vehicle telematics
systems to securely automate the reporting of odometer readings.
However, respondents emphasised that any such system would
need to be accurate, reliable and resilient to cyber security risks.
As set out in the consultation, the government also recognises
that the large majority of modern vehicles, including EVs and PHEVs,
have in-built support for connected data systems (i.e. the ability to
send/receive information by 4G/5G), which monitor various driving
activities and are viewable by drivers, vehicle manufacturers, or
permitted third parties in some cases. As set out in the Introduction,
the government will begin developing optional additional
functionality within eVED, which will allow motorists to choose to
make use of their car’s in-built connectivity. Making use of mileage
data that cars already report will be optional, but those that do opt in
will benefit from a quicker, easier to use, and more flexible system.
https://assets.publishing.service.gov.u ... sponse.pdf

Da consulta da lei inglesa.
Se existir pressão para isso, vai ser uma questão de ter o "GPS" sempre ligado.

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 18:31
por cfvp
EVUber Escreveu: 02 out 2026, 13:05 Portanto…com um IUC por km quando o carro estivesse a terminar o ano fiscal…vendia-se para nao pagar IUC.. ou transferia-se para outro proprietário da famila e quem ia pagar o IUC ?? Comprador ou vendedor ???

Com um IUC por Km às inspeções anuais de todos os carros seria caotico e mais um imposto a somar em cima dos km..

Tratando a ideia como hipótese (0,02 €/km, ou seja 300 € por 15.000 km), o efeito mais óbvio é quase triplicar a média do IUC. Os números abaixo são de ordem de grandeza, não de um estudo.



Efeitos principais Famílias.
Uma taxa única por km é regressiva. Atinge mais quem não tem alternativa (interior, periferia, deslocações longas, profissões que vivem da estrada), enquanto hoje o IUC depende de emissões, cilindrada e idade.


Elétricos. Os elétricos matriculados depois de 2007 estão isentos de IUC. Em 2025 representaram 23,2 % das matrículas de ligeiros. Um imposto por km acabaria com essa vantagem e travaria a eletrificação. Por outro lado, compensaria a perda de receita do ISP, que ronda os 4,1 mil milhões e vai encolher com a eletrificação. regras mudam mas so para o ano descubra quanto vai pagar de iuc em 2025.


Comportamento.
O custo de conduzir subiria 0,02 €/km para 15.000km/ano
Para 90.000km/ano seria 0.12km/km

So para terem uma ideia do custo por Km do um VE A carregar em casa em bi-horario

O custo da energia é cerca de 2,1 cêntimos por km:
16 kWh/100 km = 0,16 kWh/km, e 0,16 × 0,13 €/kWh = 0,0208 €/km.

Empresas e preços.
Transporte de mercadorias, entregas, táxis e TVDE veriam os custos subir, com algum efeito nos preços finais.
Municípios. Em 2025, 349,2 milhões do IUC foram transferidos para os municípios. Um novo imposto teria de redefinir essa repartição.


Execução. Seria preciso medir os quilómetros (odómetro nas inspeções ou GPS), o que levanta problemas de fraude, privacidade, custo de cobrança e veículos estrangeiros.


Conclusão

Uma taxa única de 0,02 €/km seria pesada para quem conduz muito e para a transição para elétricos.
Não estou a ver qual a complicação, nas inspeções além de tudo o que já fazem, fazem também uma verificação dos kms. No momento de pagar IUC é como agora, uma pessoa também se pode desfazer do carro antes para não pagar. Quem diz IUC diz manutenções. O comprador teria que ter em conta o IUC antes de comprar.

A taxa poderia ser €0,01/km em média e poderia haver ajustes conforme o local onde a pessoa reside. Se for no interior poderia ser mais reduzida ou para quem trabalha no sector do transporte.

São só ideias, mas uma coisa é certa, se o IUC é para financiar as estradas, não faz sentido ser um valor fixo pelo tipo de carro. A componente km é fundamental para uma pessoa pagar um valor justo.

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 18:44
por civic
Isso dos kms não faz nenhum sentido, a desigualddade será enorme, eu que não tenho qualquer hipotese de transporte publico para o trabalho pago um imposto extra para isso, a malta do Porto e Lisboa anda à borla de transportes publicos para o trabalho ou para ir ao cinema...

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 20:04
por cfvp
civic Escreveu: 02 out 2026, 18:44 Isso dos kms não faz nenhum sentido, a desigualddade será enorme, eu que não tenho qualquer hipotese de transporte publico para o trabalho pago um imposto extra para isso, a malta do Porto e Lisboa anda à borla de transportes publicos para o trabalho ou para ir ao cinema...
Quem é que usa/gasta mais as estradas - uma pessoa que faz mil kms por ano ou uma que faz 30mil? Não percebo como isso pode ser justo. Como eu disse deveria haver um ajuste conforme na localização. Quem mora em zonas mais isoladas deveria ter alguma redução.
Pegando no exemplo que deste, a pagar IUC todos os anos pode ir dar ao mesmo. Quem está em Lisboa/Porto pode andar de transportes públicos e nem precisa de carro, ou seja, não pagam IUC, enquanto tu que és "obrigado" a ter carro pagas. Vai dar ao mesmo.

Re: Se a moda pega...

Enviado: 02 out 2026, 20:53
por civic
Claro que vai dar ao mesmo, mas a fazer uma coisa nova que façam em condições, não manter as injustiças e imperfeições de sempre.