Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

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Nonnus
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por Nonnus »

civic Escreveu: 19 mar 2026, 18:24 Sendo uma reportagem para esclerecer o pessoal na compra de um EV deveriam fazer o mais rigoroso possivel...
Voltando a discussão há uma parte da entrevista e do que passou na TV que devia ter sido mais explícita e de melhor explicação. No caso real apresentado pelo entrevistador do prédio que não estava preparado para receber carregamento para carros eléctricos, ficou muito.por explicar e passou a ideia que para carregar um carro é preciso muita potência. O que como sabemos não é assim tão linear.

Foi apresentado o caso do condómino ter comprado o carro e quando quis carregar o carro o prédio não estava preparado para tal potência. Ficou a faltar explicar que potência é essa.

Porque carregar a 10A não é o mesmo que carregar a 32A.

Então se um condómino ligar o termoacumulador, outro o forno, outro estiver a passar a ferro, deduzo que a instalação do prédio também não vai aguentar, porque isto são equipamentos que consomem o mesmo que carregar a 10A.

Uma coisa é ter 3 carros a carregar a 10A, outra totalmente diferente é ter 3 carros a carregar a 32A. Aquilo que passou foi que o dono do carro só pode carregar na rua...

Um prédio que não tem a capacidade de carregar 3 carros a 10A , também não tem capacidade de quem lá vive ter grandes electrodomésticos🤔

É uma questão de lógica. Consigo carregar o carro com uma ligação a minha fração se durante esse tempo não usar por exemplo o forno, o termoacumulador, etc.

Se eu estiver errado neste pensamento então as pessoas que vivem nesse prédio carregar o carro será o menor dos seu problemas.
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civic
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por civic »

E não foi só isso, fizeram a compraração de custos de combustivel vs eletricidade sem sequer referirem qua consumos estavam a considerar, falaram apenas de uma parte da equação, muito fraquinha essa reportagem. ;)

Aliás como é costume tudo o que meta elétricos, a malta parece que tem medo de fazer as contas ou até falar do assunto, mesmo os proprietários que entrevistaram via-se mesmo que eram pessoas que pouco ou nada ligavam à questão de carregar/pagar, muito mal preparados para explicar alguma coisa acerca de ter um EV, tirando obviamente o senhor da UVE.
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BrunoAlves
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por BrunoAlves »

A parte da discussão sobre a rede de carregamento e a legislação é deliciosa, para não dizer outra coisa :lol:
- Foi o modelo MobiE que foi responsável pelo sucesso de vendas de VE em Portugal.
- A alteração da legislação é errada e baseou-se em desconhecimento e mentiras.
- Passa a ideia que sem MobiE é necessário um contrato com cada rede de operadores. Diz que lá fora cada app só dá os postos da respetiva rede. "Tenho um cartão da EDP, só vou aos postos da EDP; tenho um cartão da Galp, só vou aos postos da Galp". É falso! Não refere uma única vez a existência de eMSP e as redes virtualmente totalmente interoperáveis no estrangeiro.
- "Sempre que carrego com o cartão bancário é mais caro do que com cartão CEME" (esta sobretudo porque vem a seguir a dizer que já carregou na rede Tesla com cartão bancário, e na rede Tesla não há nenhum sobrecusto ou diferença de preço a usar qualquer outro meio - à parte da subscrição).
Enfim, muitas inverdades ditas neste bocado.
Gostei muito da publicidade constante à UVE e à EDP/parceiro estratégico, referindo várias vezes os descontos possíveis aos associados.

Numa nota mais séria, algo que é recorrente nestas entrevistas (e já aconteceu noutras, com outros interlocutores nada a ver com a UVE) é que falta um guião e uma preparação anterior da conversa. Isso acaba por fazer com que a conversa não tenha um "fio" e salte muitas vezes entre tópicos. Por exemplo a seguir à "pérola" de ser sempre mais caro com CC do que com CEME, a intervenção do Pedro foi "isso é outra coisa, a pessoa compra o carro e depois apercebe-se que afinal é muito mais caro que carregar em casa". Não está relacionado.

Ao contrário do Nonnus gostei da intervenção à volta do tema dos condomínios. Conciso e realista, por exemplo há prédios onde não dá ponto. Mas igualmente bem nos pontos positivos. A potência admissível pode ser muito variável entre localizações, acho que tentar individualizar seria mais confuso.
Bom bocado de informação.

Algo que também se nota são argumentos que já não estão bem adaptados à realidade atual: por exemplo a reutilização de baterias em segunda vida atualmente é muito pouco interessante. Não só há muitas baterias que não têm o formato "amigável" dos Leaf para esta finalidade, mas os preços das células para DIY ou até baterias prontas a usar está muito mais em conta do que baterias de VE. A possibilidade da reciclagem quase total das baterias é um argumento válido para combater o mito, reutilizar para armazenamento em nossas casas nesta altura não faz muito sentido.
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por Nonnus »

BrunoAlves Escreveu: 25 mar 2026, 16:22 Ao contrário do Nonnus gostei da intervenção à volta do tema dos condomínios. Conciso e realista, por exemplo há prédios onde não dá ponto.
Desculpa voltar a insistir. Como é que não dá? Como é que essas pessoas passam a ferro?
BrunoAlves Escreveu: 25 mar 2026, 16:22 Mas igualmente bem nos pontos positivos. A potência admissível pode ser muito variável entre localizações, acho que tentar individualizar seria mais confuso.
Não é tentar individualizar, como não é generalizar. Muitas vezes cai-se nos dois erros. É explicar de forma clara para que se perceba que um carro electrico não é nenhum porta-aviões nuclear.

Era só perder mais 30s e se calhar conseguia-se explicar o que é essa potência de carregamento. Assim ficou ideia que precisas de ter uma central electrica em casa para carregar o carro.

No dia seguinte a reportagem um colega de trabalho veio-me perguntar como era para eu carregar o carro em casa. Se tinha que ter um aparelho especial e quantas horas levava a carregar o carro. Depois de ver a confusão que ia na cabeça dele, tive de voltar a perguntar o que é que ele queria saber ao certo. Perdi alguns minutos dei-lhe exemplos reais, por exemplo casa-trabalho, ou viagens de 100km. E depois o que ele queria saber na realidade era se conseguia carregar um AMI em casa e quantas horas ia levar. Um AMI(!?) com uma bateria de 5.5kWh que carrega a 1.8kW. Aquela divagação mais atrás sobre literacia energética é real e era importante em reportagens como esta serem mais rigorosos.

Não conseguem perceber a diferença entre carregar 15kWh, ou 2kWh. A ideia que existe é:

Um carro electrico leva uma eternidade a carregar e é preciso uma quantidade enorme de potência.

Quando perguntam, então e nas viagens grandes quanto tempo demoras a carregar e eu digo que tenho uma média de 20 minutos, não acreditam e não conseguem perceber o que é um carregamento rápido. Dizeres que o carro carrega a 70kW é o mesmo que dizeres que carrega a 2.5kW.
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por rjspedition »

Nonnus Escreveu: 25 mar 2026, 20:49 Desculpa voltar a insistir. Como é que não dá? Como é que essas pessoas passam a ferro?
No meu caso tenho uma linha directa do meu quadro a 2.5mm2 a descer dois pisos até ao lugar de parqueamento, mas onde isso não acontece, será que não existem casos onde os quadros e linhas de serviços comuns da garagem estejam mal dimensionados e não permitam acomodar carga extra?

Não vi a reportagem na Sic, vou ver se a apanho.




A ideia que existe é:

Um carro electrico leva uma eternidade a carregar e é preciso uma quantidade enorme de potência.
Verdade,
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por BrunoAlves »

Nonnus Escreveu: 25 mar 2026, 20:49Desculpa voltar a insistir. Como é que não dá? Como é que essas pessoas passam a ferro?
Na minha opinião não é exatamente a mesma coisa. Isso seria uma comparação válida se toda a gente pudesse ligar os carregadores/tomadas para carregamento às suas frações. E eu arriscava a dizer que, a menos que isso já esteja feito de raiz, é uma obra potencialmente inviável.
Ou aumentar o QSC para múltiplas ligações de carros a carregar. É muito mais fácil dizer que fazer. Nisso acho que o Henrique esteve bem: poderá não ser possível ter potência disponível para toda a gente, pode ter de se "fazer uma escala", etc. Acho que se trata com demasiado "romantismo" a ideia que qualquer pessoa a viver num prédio, desde que tenha lugar de parqueamento, vai poder carregar o carro lá.

Posso dar-te o exemplo do meu prédio (que já lá andei a escarafunchar :mrgreen: )
- todas as 8 frações têm ligação da garagem ao apartamento, com fio de 6mm2. Ótimo mesmo. Se não tivessem esta ligação de raiz, seria uma obra hercúlea fazê-lo. Se tivessem a ligação com fio de 1,5mm2 (como acontece com muitos arrumos), seria impossível trocar os fios para uma secção mínima de 2,5 --> novamente uma obra hercúlea.
- o QSC da zona das garagens só tem 2 tomadas e iluminação. O quadro geral (onde liga o elevador) não tem qualquer reserva em termos de cablagem e aparelhagem para mais potência. A ligação entre os 2 quadros é insuficiente para ter 2 carros a carregar a 10A. O elevador é de 11kW e a iluminação das escadas "pisca" quando ele arranca.
Se isto tem solução? Tecnicamente deve ter. Se alguma vez na vida iria pagar-se o custo deste tipo de obra? Nunca.
E o meu prédio nem é muito antigo. Prédios mais antigos com ligações mais "desenrascadas", muito pior.
Diferente será um prédio grande, com muitos lugares de parqueamento e muitos condóminos, onde este tipo de obras a dividir por todos fazem sentido.

Isto não quer dizer que se deva realçar só os problemas, mas achei uma boa dose de realismo, sem dramas. Se podia ter sido melhor elaborado? Sim seguramente. O que acaba por ir de encontro ao que eu disse: acho que falta preparação prévia e um "guia" nestas entrevistas.
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por Nonnus »

Talvez eu esteja fora da realidade, apenas sei que nem sempre os condomínios estão abertos a soluções simples e dificultam aquilo que podia ser simples..

Se fica barato, bom, isso será sempre uma questão de fazer contas. Se não passa por um lado, passa por outro, se dá trabalho, dá.

A questão é. É a potência que não chega ao prédio, ou é a potência que não chega a determinada parte do prédio porque não há vontade?

A ideia que passou foi que a potência que chega ao prédio não é suficiente para quem tem carro elétrico. Pelo menos foi esta a minha interpretação. Daí eu dizer que assim ninguém passa a ferro naquele prédio.
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Re: Contas Poupança - Entrevista Henrique Sánchez (UVE)

Mensagem por mjr »

Ninguém passa a ferro durante horas a fio com o termostato avariado e em simultâneo com outros "ferros". Esse é que é o problema. As cargas normais de potência respeitável (10A+) são intermitentes e aqui entra muito o fator de simultaneidade e a inêrcia térmica dos condutores.

Já um VE tem uma potência constante elevada durante horas a fio, o que retira qualquer vantagem da inércia térmica dos condutores. Se forem vários ao mesmo tempo, que é o normal nas horas de vazio, podemos facilmente saturar as colunas e os ramais, que são projetados para fatores de simultaneidade bem abaixo de 1.

Portanto sim, os condomínios com vários VE são um problema ao nível de gestão a potência disponível. Mesmo que todos tenham ligação a casa! Ora é preciso precaver este tipo de problemas e planear como o resolver, algo que o ORD devia ser mais proativo. Não é um problema crítico hoje em dia mas daqui a 5 anos pode ser um problema grave, se continuarmos com as elevadas taxas de crescimento da ME.
Nissan Leaf 40 Tekna preto, entregue em 30 de maio de 2018. 62800km em 2025-12-20.
Nissan LEAF mk1 Preto, entregue em 7 de julho de 2011. 190000 km em 2025-11-23.
Tesla Model 3 LR preto entregue em 2019-03-06. 162000 km em 2025-11-23.
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